Resistance 2 (PS3)

É impressionante o quanto os jogos de tiro em primeira pessoa ganharam relevância nos consoles de tempos para cá. Até poucos anos, provavelmente antes da chegada de "Halo", este tipo de game fazia pouco barulho nos videogames de mesa, e era considerado inadequado para ser jogado em controles comuns, se comparado ao ligeiro sistema de controle combinando teclado e mouse dos PCs.
Hoje, todo aparelho tem seu grande chamariz no estilo, como "Metroid Prime 3: Corruption" no Wii ou "Halo 3" no Xbox 360. No Playstation 3, o grande nome foi "Resistance: Fall of Man", logo em sua estréia, colocando os jogadores para lutar em uma 2ª Guerra Mundial alternativa, em que os inimigos eram uma raça alienígena batizada de Chimera.
| Ameaça Chimera |
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Ataque aos EUA
Os eventos de "Resistance 2" continuam exatamente do ponto em que o primeiro terminou. O sargento Nathan Hale foi o único sobrevivente entre os 12 mil soldados norte-americanos enviados para ajudar a Inglaterra a deter os avanços da invasão dos Chimera. Depois da batalha na Torre Central de Londres, em que a base da inteligência local dos inimigos foi destruída, Hale desapareceu e foi considerado morto por seus superiores.
O herói ressurge vagando pelo campo gelado e é cercado por uma equipe de soldados da agência Special Research Projects Administration (SRPA), que tinha sua localização e sabe de participação em um projeto científico secreto de codinome Abraham. O protagonista então fica sabendo que os EUA se tornaram o próximo alvo dos Chimera e se junta ao time, sendo promovido a tenente e líder de um grupo de Sentinelas, guerreiros modificados geneticamente para conter a ameaça alienígena.
Depois de um prólogo passado na Islândia, a história passa a se focar nos eventos do front de batalha norte-americano, de costa a costa do continente. Aos poucos segredos sobre Hale e outros companheiros são revelados, trazendo à tona detalhes de uma grande conspiração governamental que liga os humanos aos Chimera até um inevitável gancho para continuação.
É um enredo que, definitivamente, funciona ao tentar aumentar todas as proporções de "Resistance: Fall of Man". Praticamente todas as situações são mais imponentes e impactantes, colocando os jogadores frente a frente a inimigos gigantescos e a correrias desenfreadas dignas de qualquer grande blockbuster de Hollywood. Pena que o mesmo roteiro também seja o responsável pelo grande pecado do jogo, que não consegue nunca dar à Hale o porte icônico de uma Samus Aran, um Masterchief ou, mesmo vá lá, um Marcus Fenix. Na realidade, nenhum dos personagens chega a ter grande carisma ou profundidade. Alguns aparecem apenas como meras engrenagens para o desenvolvimento da história e o jogo falha miseravelmente em criar uma conexão, uma empatia entre seus protagonistas e os jogadores. Você nunca se importa muito com ninguém durante a narrativa, tornando a imersão um pouco mais difícil, ainda que, obviamente, isto funcione de uma maneira subjetiva.
Produção impecável
Mesmo com esta falta de identificação ou mesmo admiração pelo mocinho, "Resistance 2" é um jogo envolvente graças à sua produção impecável. Os mapas são muito interessantes, com visuais bastante distintos e caminhos variados, repletos de detalhes que vão desde a cenários urbanos devastados a paisagens bucólicas infectadas pelos alienígenas. Correr de robôs gigantes, flanquear inimigos e perceber que todos os personagens do jogo se movimentam de uma maneira extremamente realista e vívida.
É palpável o cuidado com que a Insomniac trabalhou, explorando pequenas minúcias e aspectos que até hoje não foram totalmente dominados pela indústria - como a inteligência artificial, que aqui raramente comete algum deslize bobo como colocar alguém parado sem reagir e coordena todas as unidades de maneira agressiva e estratégica. Todos, humanos e alienígenas, se comportam de uma maneira muito interessante e chegam até mesmo a improvisar certos ataques, de acordo com a situação.
| Comercial japonês |
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Vale também dar crédito ao excelente sistema de controle. A mira é extremamente precisa e se adapta perfeitamente ao analógico do Playstation 3, que parece um pouco mais solto que o do Xbox 360, o que sempre lhe rendeu críticas em jogos do estilo. Você tem a sensação de estar totalmente em comando de seu personagem, com movimentação leve e ações intuitivas, principalmente com a adição do suporte a vibração do DualShock 3, algo que o anterior não pôde aproveitar.
Cooperação genial
A apresentação também segue o alto padrão da produção, aproveitando bem o poder e recursos do Playstation 3. Para início de conversa, dá para perceber que se trata de um produto bem realizado quando o processo de instalação do jogo no disco rígido dura cerca de apenas um minuto. E depois disso há raríssimos momentos de pausa, mantendo sempre o ritmo constante da ação.
Há paisagens lindíssimas poluídas pela destruição da guerra ou pela infecção dos Chimera, repletos de inimigos e tiros voando para todos os lados. E o jogo raramente apresenta problemas gráficos comuns por conta disto, como queda de taxa de animação. Há apenas algumas texturas mais feias, com menor resolução aqui e ali, e ocasionais bugs de colisão, mas diante das proporções gigantescas do título, são questões mínimas. E fique atento para os sons, que exploram os 6 canais de áudio do home theater como alguns dos maiores filmes de ação do cinema, despejando a todo momento ruídos assustadores do campo de batalha por todas as direções - além de uma dublagem impecável.
| Captura de movimentos |
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Já no modo competitivo, o campo de batalha é aberto para até 60 jogadores simultâneos, um marco para os consoles. Há modalidades comuns ao gênero como Deathmatch e Capture the Flag (que aqui se chama Core Control), além de um modo Skirmish, que apresenta uma série de objetivos dinâmicos e divide os jogadores em pequenos batalhões, que devem se adaptar às mudanças de foco na ação. É um modo tão divertido que, aliado à campanha cooperativa, podem se tornar até mais divertidas do que o modo principal, o que não é um feito pequeno.
Fonte:Jogos Uol
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