Análise:MotorStorm: Pacific Rift (PS3)

O "MotorStorm" original foi um dos primeiros sucessos do PlayStation 3 nos Estados Unidos, lançado em março de 2007. O jogo convenceu com sua mecânica sólida e altamente destrutiva, mas ficou a impressão de que faltava recheio, provavelmente pela pressão de a Evolution Studios ter que aprontar o título para a estréia do console de atual geração da Sony.
Agora, com "Pacific Rift", o game finalmente consegue entregar um pacote completo. Sim, o novo "MotorStorm" não representa uma evolução em relação a seu antecessor, pois a mecânica de jogo está praticamente igual, mas traz o dobro de conteúdo. De oito pistas passou para 16, e há uma modalidade para um jogador extensa e cheio de recompensas (só carece mesmo de uma "história", um pano de fundo para servir de motivação para o jogador mergulhar no mundo do ferro retorcido de "MotorStorm").
Corrida no paraíso
O cenário agora é uma ilha paradisíaca, mas as corridas travadas aqui são infernais. A lama e os pedregulhos ainda estão por todos os lados, mas há muito mais perigos desta vez. As pistas são temáticas, divididas entre os grupos terra, ar, fogo e água. Os circuitos do primeiro conjunto se caracterizam pelos cenários cheios de verde, em trilhas no meio da floresta, o que significa menos visibilidade, enquanto no segundo grupo estão as pistas com muitas rampas. O agrupamento do fogo é um dos mais radicais, com corridas que acontecem perto - muito perto - de um vulcão ativo. Por fim, as corridas da água se passam geralmente na beira da praia e seus arredores.
| Correndo pelo mundo |
|---|
O fogo e a água são alguns dos novos obstáculos do game e interferem diretamente na utilização do nitro, aquela velocidade extra que os pilotos se beneficiam ao jogar combustível extra no motor. Mas o recurso precisa ser utilizado com parcimônia, pois ao ultrapassar certa temperatura, o carro explode. Locais com chamas certamente representam perigo, mas geralmente significam caminhos mais curtos. O calor em si não faz explodir o carro, mas faz com que a temperatura aumente mais depressa ao usar o nitro. A água, por sua vez, faz a refrigeração acontecer mais rápido, mas as poças diminuem a velocidade dos veículos leves. Locais mais fundos só podem ser ultrapassados com carros cujas cabines são altas. Esses elementos garantem com que cada veículo tenha opções únicas de estratégia.
Pistas radicais
As motos e os quadrículos ATV são, naturalmente, os veículos mais velozes e ágeis, capaz de utilizar pistas estreitas, e ideais para quem gosta de saltos radicais. Com podem se abaixar e pular por conta própria, pode explorar caminhos impossíveis para outros carros. Por outro lado, são muito frágeis, e algumas pedras na pista podem levar a um grande acidente. Também precisa manter muita distância dos outros veículos, que não vão perder a chance de atacar e tirar vantagem do peso.
| Uma competição para poucos |
|---|
Os elementos que fizeram a fama do primeiro "MotorStorm" estão intactas. A mecânica do game é típica de fliperama, com velocidade quase absurda, além de poder fazer "drifts" extensos nas curvas. Mas essa agilidade é necessária, pois algumas pistas são insanas. Em Sugar Rush, por exemplo, corre-se no meio de uma plantação de cana-de-açúcar, passando por dentro de galpões e outras instalações, com direito a rampas e "pistas" sobre o telhado.
E, novamente, o projeto das pistas é algo elogiável. Não apenas pelos belíssimos cenários, mas pela grande opção de rotas, algumas óbvias, outras nem tanto. Com isso, a Evolution conseguiu circuitos eletrizantes (algumas até parecem montanhas russas, de tão inclinada que é a pista) e competitivos, pois cada tipo de veículo possui pistas que lhe é vantajoso. É claro que, dependendo da prova, um carro pode ser melhor que o outro, mas, numa corrida tão imprevisível como a de "MotorStorm", regido por uma simulação de física robusta, essas vantagens acabam não sendo determinantes.
Mas a física também pode ser motivo de frustração. Às vezes, o jogador pode avaliar que seja rigorosa demais, principalmente numa situação em que um obstáculo mínimo leva ao capotamento. De fato, os critérios para que o jogo julgue uma situação como sendo um acidente parecem até um pouco arbitrários. Mas é só impressão, afinal, quem está por trás disso tudo é uma máquina (e, não, o árbitro de "Pro Evolution Soccer" não marca apenas as faltas para o adversário). Uma coisa que parece ter piorado em relação ao antecessor, são as cenas de batidas, mas a impressão é que foram atenuadas, pois no primeiro "MotorStorm" eram bem violentas.
Pacote maior
Desta vez, as modalidades estão mais variadas. O modo de "campanha" no game atende pelo nome de The Festival, que é uma seqüência de corridas com várias regras. Algumas são provas simples (Race), mas também existem competições do tipo Speed, em que é preciso passar por "checkpoints" dentro de um tempo estabelecido e serve para ensinar as supostas melhores rotas para cada um dos veículos, e as do tipo Eliminator, que, de tempos em tempos, o último colocado é tirado a força da corrida. Há um sistema de ranking em que cada primeiro lugar obtido nas corridas vale cem pontos (e 75 para o segundo e 50 para o terceiro colocado) e, na medida em que sobe na classificação, o jogador libera novos carros e pilotos. As corridas podem ter objetivos paralelos, como terminar dentro de um tempo-limite ou um número de capotagens. Isso libera outras provas.
| Conheça os veículos |
|---|
O visual de "MotorStorm" é excelente, mostrando cenários complexos e exuberantes. E a sensação de velocidade é grande, graças às animações suaves e estáveis (é raro acontecer uma queda na taxa de quadros). Por outro lado, as texturas se mostram grosseiras quando vistas de perto e os efeitos especiais, principalmente de água, são primários. O.k., são detalhes que não interferem em nada a diversão. O som segue a linha radical do título, e nomes consagrados como Nirvana, Queens Of The Stone Age e David Bowie fazem muito barulho ao lado de bandas novas como The Planets.
Fonte:Uol Jogos
Postar um comentário